Quem Foi José de
Anchieta
Inegavelmente foi um herói para o Brasil. Aportou na Bahia, veio
para a Região Sudeste onde participou ativamente na catequese
dos índios de todo Litoral Paulista e na fundação de São Paulo,
que se deu por iniciativa do Padre Nóbrega.
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O Brasil deve a Anchieta, ao
Padre Manoel da Nóbrega, à Igreja Católica, aos Caciques
Tupinambás Cunhambebe, Aimberê, Pindobuçu, Coaquira e aos Portugueses a grandiosidade e unidade
do Território do Brasil. São mais de 8 milhões de quilômetros
quadrados, num território contínuo maior que o território
contínuo dos Estados Unidos
(sem o Alasca e o Havaí),
falando uma mesma língua, em grande parte com uma mesma fé,
compondo uma mesma nação.
No século 16, tendo os portugueses feito grandes
agravos aos índios Tupinambás, caçando-os para servirem de
escravos nos Engenhos de São Vicente, aliou-se toda a nação
Tupinambá com os franceses (com os quais esses índios já
comerciavam pau-brasil há um bom tempo no século 16) contra o
empreendimento Português, numa confederação conhecida como a
Confederação dos Tamoios. Desta Confederação participavam todas
as aldeias Tupinambás localizadas no território desde
Caraguatatuba incluindo todo o Vale do Paraíba entre São Paulo e
Rio, até o Cabo de São Tomé no atual Estado do Rio de Janeiro. A França havia construído um pequeno
forte (Forte de Coligny) na Baía da Guanabara, batizando-a de
França Antártica, base para a futura colônia e asilo religioso
para protestantes franceses refugiados das Guerras de Religião na
França e na Europa. Foi nesta época que viajantes franceses como
André Thevet (escreveu "As Singularidades da França Antártica) e
o calvinista Jean de Léry (escreveu "Viagem À Terra Do Brasil)
visitaram o local onde hoje se situa a Cidade do Rio de Janeiro.
Esta
colônia, materializada no Forte de Coligny, atual Ilha de
Villegaignon, ameaçava juntamente com os índios da Guanabara,
vilas como Piratininga (São Paulo) e São Vicente. Era a época do
Brasil Quinhentista que povoava o imaginário europeu.
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Mapa da França
Antártica |
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Pau-Brasil ou
Ibirapitanga |
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Diante da
proeminente destruição da colônia Vicentina pelo invejável poder
de guerra da Confederaçãos dos Tamoios,
Nóbrega e
Anchieta são transportados no barco de José Adorno até a aldeia
de Iperoig
(na atual Ubatuba - SP) para tentar fazer as pazes com os da terra. Graças a
Anchieta, Nóbrega e ao Cacique Cunhambebe, a Paz foi celebrada
no Tratado de Paz de Iperoig, o primeiro celebrado em toda a América.
De Itanhaém à
Iperoig - Ubatuba
Anchieta havia aprendido o Tupi. Passava ele por Itanhaém,
na época da quaresma, em
andanças sem fim nas praias longínquas e nos matos, catequizando
os índios, quando Nóbrega incumbiu-o de uma grande missão. Ele e
o Padre Nóbrega iriam à aldeia de Iperoig (atual Ubatuba) para promover
as pazes, local onde residiam os índios Tupinambás da fronteira,
posto que seu território ia desde o Rio Juqueriquerê em
Caraguatatuba até o Cabo de São Tomé no atual Estado do Rio de
Janeiro. O grosso da nação Tupinambá na verdade se localizava na
Baía da Guanabara onde possuíam inúmeras aldeias e em Cabo Frio
(terra conhecida como Gecay pelos índios - que é também o nome do
único tempero da cozinha nativa, feito da trituração do sal da
Lagoa de Araruama com Pimentas Vermelhas). Este tempero era
comerciado com os franceses que estabeleceram estreitos laços de
amizade com os autóctones. Era também nos
arredores de Cabo Frio que ficavam
as misteriosas pedras sagradas, cultuadas e veneradas pelos Índios
Tupinambás,muito embora outros afirmes que sua localização seria
na Guanabara.
Retornando
de Iperoig (Ubatuba), a história conta que Nóbrega vem juntamente com Cunhambebe para
São Vicente e Anchieta fica refém em Iperoig. Em Iperoig, hoje
em dia Ubatuba, muitos fatos
estranhos se
sucederam. Conta a lenda que Anchieta levitava, o que causava
horror aos índios pois pensavam tratar-se de um feiticeiro.
Foi nesta época segundo alguns historiadores, no abandono de seu
cativeiro, que Anchieta teria escrito o famoso Poema à Virgem.
Benedito Calixto, famoso pintor nascido em Itanhaém
imaginou a cena e imortalizou-a em um dos seus quadros, "O Poema
de Anchieta", se bem que a paisagem nada tem em comum com
aquela de Ubatuba, então Iperoig. Calixto, na realidade, teria
imaginado a cena sobre as praias retilíneas e longas que só
existem no Litoral Sul.
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"O Poema de
Anchieta" de Benedito Calixto |
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Celebrada a
Paz com os índios, Anchieta ajuda na fundação da atual cidade do
Rio de Janeiro juntamente com muitos mamelucos vindos de
Piratininga (São Paulo). Enfim, a obra de Anchieta reflete-se na paciente
catequese dos índios, no incansável aprendizado da Língua Tupi,
nas tarefas árduas da catequese pelos matos, ensinando e levando
a palavra da fé aos índios da terra. Mesmo que algumas de suas
declarações em relação à nação Tupinambá e aos Índios tenham sido muito
polêmicas, é inegável a importância deste grande vulto histórico
para o Brasil, e nesta história, como a Segunda Mais Antiga
Cidade do Brasil, Itanhaém possui lugar de destaque
Joseph de Anxieta,
nasceu em La Laguna de Tenerife, Ilhas Canárias, em 19 de março
de 1534. Aos vinte anos de idade, foi enviado ao Brasil como
integrante da comitiva de Duarte da Costa, segundo
governador-geral da colônia, onde ensinou as primeiras letras
aos índios e filhos dos colonos. A importância da obra escrita
deixada por
Anchieta, decorre em primeiro lugar do fato de ter sido produzida
no Brasil e para brasileiros numa época em que a literatura
sobre a colônia era meramente informativa e destinada a leitores
europeus. A mesma apresenta dois aspectos de relevância para a
história do Brasil: o trabalho de missionário e o de educador,
ligado à criação literária e teatral. Tido como primeiro mestre
do Brasil e iniciador da literatura brasileira, exerceu ambos os
papéis de maneira harmônica e integrada. Em uma das cartas que
escreveu durante sua permanência no Espírito Santo, o padre
Anchieta diz ter sido enviado para ajudar na doutrinação dos
índios, "com os quais me dou melhor do que com os portugueses".
Anchieta morreu em Reritiba, hoje Anchieta, no Estado do Espírito
Santo, em data de 9 de junho de
1597. Atualmente tramita um processo de beatificação no Vaticano
sobre o Padre José de Anchieta.
Datas Anchietanas
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- 19.03.1554
- Nasce em Tenerife nas Ilhas Canárias
- 01.08.1551
- Ingressa no Seminário em Coimbra
- 13.07.1553
- Aporta na Bahia
- 25.01.1554
- Fundação de São Paulo de Piratininga
- março/abril
1553: Quaresma em Itanhaém
- 04.05.1563
- Em Yperoig (Ubatuba) para o armistício
- 1565/1567 -
Assiste a fundação do Rio de Janeiro
- 1566 -
Ordenado Sacerdote na Bahia
- 1578 - 1586
- Provincial dos Jesuítas no Brasil
- 1587 - 1597
- Últimos anos no Espírito Santo
- 09.06.1597
- Morte em Reritiba (atual Anchieta) no
Espírito Santo
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